30 de dez de 2011

''DESAPEGAÇÃO''



O apego. É sem dúvida uma grande fonte de carência.
Saudade é como tentar segurar o vento. 
É como não ter aqui e agora, nesse instante,
o que seria o mais importante da sua vida.
Também irônico (pra não dizer triste).
Nos atrevemos, ficamos presos a essa visão distorcida
e chamamos de amor. 
Chamamos, gritamos e choramos por amor.
Um suposto amor que poderíamos facilmente chamá-lo de dor.
Mas não queremos. 
''Está tudo bem, eu acho. Eu acho não, eu tenho 
é certeza, afinal eu estou amando. Só pode ser bom.''
É tão forte que preferimos renunciar à própria felicidade, 
do que renunciarmos ao outro.

Seria dor ou amor? 
Talvez seja tudo.
Um pouco de cada. 
Um pouco de céu e um pouco de inferno.
Às vezes um pouco quente e às vezes um pouco frio.
É tão pouco, tão pouco, que essa enorme quantidade
de pouco caso, se torna algo grande. 
Na escala dos mundos,
algo do tamanho do cosmos.
É um grande sentimento.
É inimaginável e cego.
Isso pode ser pra vida toda, ou ao menos por um instante:
um mês, um verão, anos. 
Algo tão enraizado não pode ser comum, não deveria.
Optamos em sermos infelizes para não nos desapegarmos do outro 
e não permitirmos que o outro se desapegue de nós.
Um grande auto boicote.

Seria dor ou amor? 
Talvez apego.
Um sentimento propriamente dito bom, 
carregando todos os seus dramas. 
Eu diria também exagerado. 
E incondicional.
Quem deseja o amor incondicional, 
deve (acima de tudo) saber amar incondicionalmente?
Penso que amar incondicionalmente para ser 
amado incondicionalmente, já é uma condição de amor.
É contraditório e doentio.

Seria dor ou amor? 
Talvez não seja apenas apego.
Talvez seja maior do que isso.
Precisamos nos esforçar com o mesmo drama, 
com o mesmo exagero e com a mesma intensidade, 
somente para deixar de lado (por um pequeno momento que seja) 
o pensamento que dói.
Dizer ''adeus saudade''.
Mas também não queremos isso. 
''Eu já disse, é amor. Só pode ser bom.''
Você deveria ser capaz de estar só, 
completamente só, e ainda assim, tremendamente feliz.
Todos nós deveríamos.
Quando deixa de ser carência e passa a ser uma necessidade,
começa a doer. 
E se dói, é preciso largar. 

Seria dor ou amor?
É uma doença. 
Uma doença com o mais lindo sorriso.
Se relacionar é um fluxo, um movimento, um processo.
É impossível virar o disco, fechar a porta e sacudir a poeira.
É incrível amar e desejar,
mas é destrutivo não possuir e se perder.

Pela última vez, seria dor ou amor? 
''Eu não sei. Eu sinto muita falta.''

Alexandre Ramirez.

Um comentário:

Rógean Vinícius disse...

Muito bom o texto. Desapego, ah o desapego.
Muito bom tbm o blog.
Parabéns.
Já seguindo.

se7ex.blogspot.com

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